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METAMORFOSES.
. Ovídio
. (47 aC)
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“Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só
apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento
contínuo, como um rio… O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e
todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o
dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da noite… Não vês as estações
do ano se sucederem, imitando as idades de nossa vida?
Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova… a planta
nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche de esperanças o agricultor.
Tudo floresce. O fértil campo resplandece com o colorido das flores, mas ainda
falta vigor ás folhas. Entra, então, a quadra mais forte e vigorosa, o verão: é
a robusta mocidade, fecunda e ardente.
Chega, por sua vez, o outono:
Passou o fervor da mocidade, é a quadra da maturidade, o meio-termo entre o
jovem e o velho; as têmporas embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é
o velho trôpego, cujos cabelos caíram como as folhas das árvores, ou, os que
restaram, estão brancos como a neve dos caminhos.
Também nossos corpos mudam sempre e sem descanso… E também a natureza não descansa e, renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no vasto mundo, mas tudo
assume aspectos novos e variados… Todos os seres têm sua origem noutros
seres.
Existe uma ave a que os fenícios dão o nome de fênix.
Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do incenso e do suco da amônia.
Quando completa cinco séculos de vida, constrói um ninho no alto de uma grande
palmeira, feito de folhas de canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada.
Ali se acomoda e termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix, que viverá outros cinco séculos… Assim também é a natureza e tudo o que nela existe e persiste.”
. (Ovídio)
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29/09/2011 às 08:51
Querido Tibira,
o poeta tem completa razão, a vida é feita de ciclos e fases evolutivas e construtivas que se sucedem e criam a beleza da natureza da vida. Gosto de pensar que também temos que ter gosto pela vida, por cada momento que passamos. Um antigo poeta indiano disse: “O mesmo rio da vida que corre pelo mundo corre constantemente pelas minhas veias e baila ao som de sua própria música. É a mesma vida que grita de alegria, perfurando a terra com incontáveis lâminas de relva, e explode em agitadas ondas de flores”.
Um abraço,
Ricardo Aquino