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TARDE DE INVERNO…
Mais um dia de Junho se vai… trazendo o frio de uma tarde de inverno, com gosto de vinho, pão e ainda alguma coisa para se aquecer, que seja fogo, tecido ou de beber.
Em alguma igreja, longínqua, termina a última missa do dia, o campanário toca os sinos em meio ao silêncio da tarde, trazendo uma agradável melancolia… Quase doce, morna… coisa boa de se sentir… De se sentir com a alma, momentos assim ficam gravados para sempre no coração, como um monumento de uma tarde memorável…
Pessoas voltam para casa, caminhando em meio ao vento frio do inverno.
No ar, o cheiro úmido de um lugarejo centenário, misturado à fumaça de algum fogão a lenha, que insiste, solitário, em perfumar e encantar a tarde que cai…
Ainda se ouve um galo cantando… longe… quase imperceptível… se despedindo do dia, perdido em algum quintal, em meio ao silêncio e a névoa que cobre o arraial…
Estrelas caem aqui e ali como lampiões, as casas aos poucos se acendem, pintando o singelo arraial com gotas de luzes de variadas cores…
A noite vem abraçando o lugarejo… lenta… vagarosa… mole… como a milênios sem fim insiste em fazer…
Esta mesma noite traz outras tantas alegrias, vinhos nas tabernas, encontros de amigos, agradáveis e longas conversas madrugada a fora, com ou sem chuva, namoros no portãozinho da casa da menina e outras tantas alegrias mais…
Momentos que serão guardados, mesmo sem saber, em algum lugar onde se encontram os sentimentos mais ternos de um ser, para um dia serem recordados, quando menos se espera e sem o menor aviso, em alguma época da vida, assim, como algo bom de se viver novamente, acompanhados de uma terna saudade…
E assim vai se construindo a história de cada um, como um tecido que aos poucos toma forma…
São nesses lugares e nesses momentos que residem a leveza e a alegria da vida…
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“A leveza das pessoas mora em algum lugar do lúdico.”
Tibira / 2011
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